October 13, 2020
De parte de Midia Independente
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A trai莽茫o da colonialidade.
Fonte: imagem do autor

Laroi锚 Exu!

Vamos caminando/ Aqu铆 se respira lucha
Vamos caminando/ Yo canto porque se escucha
Vamos dibujando el camino
(Calle 13)

O quadro surrealista A Trai莽茫o das imagens de Ren茅 Magritte de 1929, ic么nico pela legenda 鈥淐eci n’est pas une pipe鈥 [Isto n茫o 茅 um cachimbo] 脿 representa莽茫o pictural de um 鈥渃achimbo鈥 (?), 茅 provocador at茅 os dias atuais 鈥 deixando-nos pasmos h谩 quase um s茅culo! 鈥 ao desnaturalizar o costume e trazer como fato 鈥 feito (factum) 鈥 aquilo que 茅 tido pressupostamente como dado 鈥 aquilo que 茅 entregue (datus). Libertariamente associando, pois n茫o sou cr铆tico e n茫o me proponho 脿 especialidade das artes, Marcel Duchamp com seus ready-mades [鈥渏谩 feitos鈥漖 foi outro desafiador artista modernista europeu que nos fez questionar a tradi莽茫o ao nos lembrar das coisas que, usadas com frequ锚ncia em nossos h谩bitos, tornam-se invis铆veis e empoeiradas nos por玫es, s贸t茫os, oficinas e banheiros p煤blicos. Perguntamo-nos enraivecidos: 鈥淥nde foi parar o maldito martelo?!鈥, como se existisse alguma coisa ou, qui莽谩, um tipo de for莽a magn茅tica no martelo que o mantivesse no seu lugar, isto 茅, aquele lugar dado ao alcance dos nossos desejos. Entretanto, como frustradamente sabemos ao cuidarmos das tarefas dom茅sticas, a coisa nunca est谩 onde quer铆amos que estivesse, pois, ao fazermos algo aqui ou ali 鈥 inclusive ao fazermos arte 鈥, o martelo pode ficar em um lugar fora do habitual. Esta foi, na leitura que quero propor com a imagem, t铆tulo e corpo desta publica莽茫o, a sagacidade que os artistas modernistas tiveram: fazer um deslocamento art铆stico, produzir met谩foras do aceit谩vel, seja da 鈥渞epresenta莽茫o鈥, seja do 鈥渙bjeto鈥, para produzir 鈥渟ignificados鈥 radicalmente novos e contr谩rios ao tido como estabelecido ou can么nico.

Inspirado nesse modo alternativo e criativo de lidar com o factual realizado pelos artistas modernistas, quero voltar-me em dire莽茫o aos mapas e cartografias para lhes negar a condescend锚ncia toler谩vel do 鈥渄ado鈥, ou afirmar/nos relembrar do ready-made existente nesses objetos. E, por conseguinte, desnaturalizar ou desnormativizar todo processo de inscri莽茫o da Am茅rica no mappa mundi e na colonialidade do poder, instaurada no que pode ser chamado de moderno padr茫o mundial de poder[1], que essas reprodu莽玫es cartogr谩ficas simbolizam. Pondo no nosso racioc铆nio uma pitada de Magritte e de Duchamp ou da agridoce teimosia, secular resist锚ncia ao moderno nas artes, dos que falam 鈥渋sso 茅 arte?… At茅 um primata faria isso!鈥, dever-nos-ia espantar o moderno do mappa mundi ou do nome 鈥淎M脡RICA鈥 da mesma forma que alvoro莽a o p煤blico um mict贸rio assinado e nomeado por 鈥淔onte鈥 ou os d铆sticos de Magritte. Por que raramente desconfortam os ready-mades da cartografia que nos s茫o apresentados nas escolas e universidades, mas os ready-mades expostos num museu s茫o t茫o pol锚micos? Arriscando uma resposta, diria: Porque deixamos de pensar, apagamos ou fazemo-nos esquecer dos come莽os baixos[2] e po茅ticos que h谩 por tr谩s de todo cachimbo desenhado, mijadouro, roda de bicicleta, cartografia, tratado filos贸fico, etnocentrismo/etnocentramento etc., para sobrevalorizar as narrativas mitol贸gicas de uma causa primeira, primog锚nita ou de princ铆pio gen茅tico verbal/racional, ao estarmos inculcados por um saber particular[3] que atrav茅s da colonialidade se outorga o papel de ser racionalmente universal, imparcial e verdadeiro, diz Quijano:

[…] uma espec铆fica racionalidade ou perspectiva de conhecimento que se torna mundialmente hegem么nica colonizando e sobrepondo-se a todas as demais, pr茅vias ou diferentes, e a seus respectivos saberes concretos, tanto na Europa como no resto do mundo.[4]

Pregando por a铆 a cren莽a de que: In principio erat Verbum [No princ铆pio era o Verbo], o g锚nesis verbo-racional, a metaf铆sica messi芒nica colonizadora legitimou e atualizou as formas mais diversas de explora莽茫o e dom铆nio da colonialidade, dos conquistadores sobre os conquistados 鈥 inclusive na valida莽茫o for莽ada da universalidade dos saberes e modos de percep莽茫o do mundo dos primeiros 鈥, uma vez que aos 鈥渃onquistadores鈥 foi-se atribu铆da a fun莽茫o epist锚mica de mensurar e qualificar todo o mundo. Ou seja, ser a causa primeira verbal/racional, manifesta莽茫o da vontade de Deus sobre todos os povos[5]. E essa subalterniza莽茫o foi t茫o eficiente que, mesmo ap贸s o fim do colonialismo, as tentativas de reivindica莽茫o de si por parte dos povos conquistados deram/d茫o-se muitas vezes nos termos e mappae [mapas] do colonizador, por exemplo, no uso pouco cuidadoso das categorias coloniais numa suposta identidade americana ou latino-americana. Dever铆amos nos perguntar: Qual compromisso deve ter o subjugado com aquele que o subjuga?

Assim sendo, fixar numa parede, como um ready-made ou pintura surrealista,o mappa mundi 茅 recordar simplesmente do factual come莽o mundano de que: segurando o grafite que marca a folha, h谩 a destreza das m茫os de uma personalidade relativa 脿s incis玫es, pelo menos, de determinada consci锚ncia e mem贸ria[6]. Isto 茅, h谩 um autor com suas disposi莽玫es pol铆ticas, ideol贸gicas, hist贸ricas, mnem么nicas e amn茅sicas, socioculturais etc. por tr谩s de toda t茅cnica cartogr谩fica. O que n茫o 茅 um empecilho para a livre manifesta莽茫o da ci锚ncia, raz茫o ou t茅cnica 鈥 caso contr谩rio, estar铆amos nos voltando contra a exist锚ncia mesma das 煤ltimas 鈥, mas condi莽茫o necess谩ria que precisa ser apontada para melhor reconhecermos as faculdades art铆sticas e de cria莽茫o de valores dos seres humanos, seus desenvolvimentos e resguardarmos a possibilidade do questionamento ao embrutecimento dogm谩tico, ortodoxo ou doutrin谩rio.



Parte de cartografia de Juan de la Cosa (1500) 脿 esquerda e parte de mapa de Waldseem眉ller (1507) 脿 direita. Ambas as partes est茫o representando a Am茅rica ou Novo Mundo.

Seja em Juan de la Cosa, Martin Waldseem眉ller[7] ou atuais imagens por sat茅lite, se 茅 veraz o que venho argumentando, os mapas e cartografias n茫o s茫o manifesta莽玫es do dado, mas feitos sob perspectivas, tra莽ados de tr贸picos e meridianos, coordena莽茫o, nomea莽茫o e recorte de localidades. 脡 nesse sentido que quero parodiar Magritte ao legendar o mapa americano com a frase 鈥淚sto n茫o 茅 a Am茅rica鈥. Trata-se de uma proposta de p么r sob observa莽茫o isto que nomeamos por Am茅rica. N茫o por essa cartografia nos alienar da imagem do real, daquilo que seria a Am茅rica 鈥渁ut锚ntica鈥, suas hist贸rias e narrativas per se ou as identidades, povos e na莽玫es originariamente americanos. Mas porque quero (i) real莽ar na cartografia moderna a sua exist锚ncia enquanto tecnologia de acesso e domina莽茫o, a princ铆pio, luso-hisp芒nica e, mais tarde, de toda Europa ou dos 鈥渂rancos鈥[8] 脿quelas por莽玫es de territ贸rio[9], (ii) p么r em questionamento o conservadorismo das categorias, costumes e h谩bitos coloniais, e (iii) promover um pensamento desde-colonial[10] de resist锚ncia[11] e trai莽茫o 脿 colonialidade do poder 鈥 saber, ser, g锚nero, linguagem, entre outras. Em outras palavras, fomentar um projeto de volver-se contra todas as formas de governan莽as institucionais e sociais[12] iniciadas ou atualizadas pelas marcas da coloniza莽茫o 鈥 falo de marcas objetivas como o Meridiano de Tordesilhas, que fragmentou o mundo entre conquistadores-conquistados e atribuiu propriet谩rios estes ou aqueles ao Mundus Novus 鈥 e que persistiram aos processos de independ锚ncia das col么nias[13].

脡 nesse contexto epistemol贸gico que venho trabalhando com duas personagens que habitariam o territ贸rio desde-colonial, libert谩rio e de resist锚ncia da Am茅frica Ladina[14]. Duas personagens de uma mesma tipologia dos corpos ca铆dos e mortos ou afinidade alternativa e criativa de revolu莽玫es outras a serem feitas em forma ou conte煤do.

Aqui, com o intuito de especificar a exist锚ncia dessas personagens, mais uma vez quero fazer uso da met谩fora do ready-made, no sentido amplo daquilo que (a) est谩 feito e 茅 ressignificado/desnaturalizado/desnormativizado e (b) da rememora莽茫o factual do banal olvid谩vel, para pensar nos corpos ca铆dos, as primeiras personagens, como aqueles pelos quais se luta, e nos corpos mortos, as segundas personagens, como aqueles que ao lutar aceitam morrer ou matar algo em si por suas causas.

Sobre o primeiro, corpos ca铆dos s茫o aqueles que caem das sacadas luxuosas, caem dormidos e entorpecidos sob marquises e pontos de 么nibus do centro da cidade, caem ensanguentados pelas for莽as tir芒nicas e repressoras do Estado, tendo seus corpos arrastados publicamente por carros para servir de exemplo, ficam ca铆dos nos corredores e portas de hospitais, caem das motos e bicicletas nas ruas da metr贸pole com encomenda de app de entregas nas costas, s茫o jogados no fundo de uma cela, humilhados e abatidos em massa. Vitimados em centena de milhares, mas n茫o vitimizados. Essa 茅 uma modifica莽茫o importante de perspectiva que o ready-made desde-colonial prop玫e ao pensar a v铆tima enquanto fato e n茫o dado, j谩 que reconhecer no corpo as suas quedas n茫o 茅 o mesmo que lhe atribuir uma ess锚ncia subalterna. Um ex茅rcito que sofre baixas ou um pugilista cansado ao final do d茅cimo-segundo assalto n茫o podem ser definidos por seus abatimentos. Desse modo, 脿 sugest茫o de revolu莽玫es da situa莽茫o colonial e explorat贸ria no status quo dos corpos ca铆dos deve ser de primeira ordem a modifica莽茫o do papel revolucion谩rio dos corpos abatidos 鈥 n茫o mais como tem谩ticas ou pautas auxiliares, mas como protagonistas autodeterminados de luta[15]鈥, caso contr谩rio, n茫o nos seria poss铆vel falar em movimentos des/decoloniais que n茫o continuassem por perpetuar variedades do paternalismo ou metaf铆sica messi芒nica colonial.


Queime seu colonizador interior
Fonte: Grupo de propaganda revolucionaria – La ruptura [Facebook].

Sobre o segundo personagem com que venho trabalhando, gostaria de fazer das minhas palavras as de Lorenzo Kom鈥檅oa em Anarquismo e Revolu莽茫o negra:

Essas pessoas 鈥渂rancas鈥 devem se engajar em um suic铆dio de classe e trai莽茫o de ra莽a antes que realmente possam ser aceitos como aliados dos Negros e trabalhadores oprimidos por sua nacionalidade; toda a ideia por tr谩s de uma 鈥渞a莽a branca鈥 茅 conformismo e os torna c煤mplices de assassinato em massa e explora莽茫o. Se os brancos n茫o querem vincular a si pr贸prios o legado hist贸rico do colonialismo, da escravid茫o e do genoc铆dio, ent茫o eles devem se rebelar contra os mesmos. Assim, os 鈥渂rancos鈥 devem denunciar a identidade branca e seu sistema de privil茅gio, e eles devem lutar para redefinirem-se a si mesmos e sua rela莽茫o com os outros[16].

Se cito Kom鈥檅oa, fa莽o para agourar a consci锚ncia embranquecida que nos foi internalizada 鈥 em todos, mas propositalmente em uns mais do que outros[17] 鈥 numa sociedade racista e dizer: 鈥淢ate o branco que existe dentro de voc锚鈥[18]. 脡 desse imperativo agourento que a segunda personagem desde-colonial surge enquanto corpo morto, Trai莽茫o da imagem embranquecida/鈥渂ranca鈥 que temos de n贸s mesmos, Ready-made de desnormativiza莽茫o do 鈥渂ranco鈥. Porque, ao lutar por uma outra sociedade, libert谩ria, contr谩ria a todas as formas de corte, distin莽茫o e distribui莽茫o dos corpos entre aquele que mandam e aqueles que obedecem, governantes e governados, conquistadores e conquistados, aqueles que lutam devem aceitar deixar morrer/matar as categorias do 鈥渂ranco鈥 se n茫o desejam estar vinculados, como foi supracitado, a um legado hist贸rico de colonialismo, colonialidade, escravid茫o, explora莽茫o e genoc铆dio.

Como foi dito anteriormente, j谩 repetindo de modo quase enfadonho, tentando concluir, estou trabalhando com essas duas personagens, ou com a afinidade pol铆tica das mesmas, para tentar produzir, entender e legitimar as propostas de um sonho[19] por uma sociedade libert谩ria feita nos atravessamentos das abcissas e ordenadas das antigovernan莽as[20]. Um sonho de poder sonhar livremente e cantar como nossos mais velhos, Dona Ivone Lara e D茅lcio Carvalho:

Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe
Sonho meu
Vai mostrar esta saudade
Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu

Texto publicado originalmente no site do PAC.

Este texto adianta t贸picos de uma pesquisa que venho desenvolvendo dentro do CPDEL (Coletivo de Pesquisas Decoloniais e Libert谩rias) sob orienta莽茫o de Wallace de Moraes. A proposta deste artigo para o Portal Aut么nomo de Ci锚ncias surgiu a partir de uma exposi莽茫o feita no Festival do Conhecimento da UFRJ no painel tem谩tico sobre Racismo, descolonialidade e racismo do dia 23/07/2020. Para acompanhar essa fala, confira: https://www.youtube.com/watch?v=cDO7T6pLv34&t=5117s

Ygor Pena 茅 formado em filosofia pela UFRJ, mestrando na linha de pesquisa de g锚nero, ra莽a e colonialidade do Programa de P贸s-Gradua莽茫o em Filosofia (PPGF) da UFRJ e integrante do grupo de pesquisa CPDEL e do NFC (N煤cleo de Filosofias da Cria莽茫o).

[1] QUIJANO, A. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e Am茅rica Latina. In: A colonialidade do saber: eurocentrismo e ci锚ncias sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, p. 117-142, 2005. Dispon铆vel em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/sur-sur/20100624103322/12_Quijano.pdf

[2] FOUCAULT, M. Nietzsche, a genealogia e a hist贸ria. In: MACHADO. R. (org.). Microf铆sica do poder. Rio de Janeiro/S茫o Paulo: Paz e Terra, 2018, p. 59.

[3] Sobre as particularidades, cf. RAMOSE, M. Sobre a Legitimidade e o Estudo da Filosofia Africana. In: Ensaios Filos贸ficos. Rio de Janeiro, v. IV, out.-2011. Dispon铆vel em: http://www.ensaiosfilosoficos.com.br/Artigos/Artigo4/RAMOSE_MB.pdf. Acesso em: 09 de mar莽o de 2020.

[4] QUIJANO, A. Op. Cit., p. 126.

[5] Sobre as justificativas cat贸licas/crist茫s em primeira m茫o para a escravid茫o e di谩spora negra, Cf. VIEIRA, A. Serm茫o XIV. Portal Dom铆nio P煤blico 鈥 Minist茅rio da Educa莽茫o, Bras铆lia, DF. Dispon铆vel em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fs000032pdf.pdf.

[6] GONZALEZ, L. Primavera para as Rosas Negras: L茅lia Gonzalez em primeira pessoa. Colet芒nea Organizada e editada pela Uni茫o dos Coletivos Pan-Africanistas (UCPA). Di谩spora Africana, 2018, 鈥淩acismo e sexismo na cultura brasileira鈥.

[7] Em Cosa temos o mapa mais antigo em que o Novo Mundo 茅 representado (1500), notemos o Meridiano de Tordesilhas que atravessa essa por莽茫o territorial, e, em Waldseem眉ller (1507), temos o primeiro mapa em que a inscri莽茫o Am茅rica 茅 encontrada.

[8] Sobre a exist锚ncia a posteriori da identidade 鈥渆uropeia鈥 e 鈥渂ranca鈥 em rela莽茫o 脿 inven莽茫o da 鈥淎m茅rica鈥 (1492), cf. QUIJANO, A., Op. cit., 鈥淩a莽a, uma categoria mental da modernidade鈥; ERVIN, L. K. Anarquismo e revolu莽茫o negra e Outros Textos do Anarquismo Negro. S茫o Paulo: Sunguilar, 2015.

[9] Sem falar da neocolonialidade estadunidense.

[10] Na indefini莽茫o de prefer锚ncia por uma dessas grafias, descolonial ou decolonial, gostaria de propor um jogo de palavras em que ambos os prefixos s茫o grafados produzindo a sonoridade e escrita do termo 鈥渄esde鈥 (鈥渁 partir鈥). Com isso, podemos pensar que desde-colonial, para al茅m de toda cr铆tica des/decolonial, 茅 uma proposta de pensamento de resist锚ncia produzido por aqueles corpos que est茫o sob condi莽玫es de colonialidade. Afinal, ningu茅m melhor que aqueles que vivem sob o jugo da colonialidade sabe como lutar contra isso. Esse 茅 nosso direito de autodetermina莽茫o.

[11] Estou pensando o conceito de resist锚ncia com LUGONES, M. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 935-952, 2014; e CABRAL, A. La cultura, fundamento del movimiento de liberaci贸n. El Correo, p. 14, 1973.

[12] MORAES, W. Estadolatria, plutocracias, governan莽as sociais e institucionais 鈥 pre芒mbulo de um paradigma anarquista de an谩lise. OTAL, 2018. Dispon铆vel em: http://www.otal.ifcs.ufrj.br/estadolatria-plutocracias-governancas-sociais-e-institucionais-preambulo-de-um-paradigma-anarquista-de-analise1/. Acesso em: 5 de abril de 2020.

[13] Esse 茅 o ponto alto do marco te贸rico cr铆tico des/decolonial, isto 茅, o apontamento das persist锚ncias e intimidades das pr谩ticas coloniais no mundo capitalista e globalizado p贸s s茅culo XVI.

[14] GONZALEZ, L., Op. cit., 鈥淎 categoria pol铆tico-cultural da Amefricanidade鈥.

[15] ERVIN, L. K., Op. cit., p. 17-20.

[16] ERVIN, L. Op. cit., p. 38, grifos do autor.

[17] S茫o para mim de grande valor as teses de Kom鈥檅oa sobre a estreita rela莽茫o das condi莽玫es pol铆ticas e socioecon么micas dos 鈥渂rancos鈥 e negros (ERVIN, L. Op. cit., 鈥淯ma An谩lise da Supremacia Branca鈥), e o uso da ideologia da 鈥渟upremacia branca鈥 como aprimorada resposta de perpetua莽茫o da hegemonia burguesa-colonial e repress茫o 脿s pol铆ticas de luta de classe (Ibidem, 鈥淐omo os capitalistas usam o Racismo鈥; 鈥淒errotar a supremacia branca!鈥). Observo, entretanto, que, se valorizo o trabalho de Kom鈥檅oa, levo-o em considera莽茫o com observa莽玫es 鈥 pois 茅 not谩vel que as cr铆ticas de Kom鈥檅oa, num contexto estadunidense, v茫o se dirigir a uma branquitude que est谩 fixada por discursos do 鈥渞acismo de origem鈥. Ou seja, leio-o pondo em di谩logo com a situa莽茫o racial brasileira, por exemplo, com o pensamento de L茅lia Gonzalez, quando a autora identifica o desenvolvimento de uma consci锚ncia embranquecida, no contexto do racismo 脿 brasileira, tamb茅m nos corpos melanod茅rmicos. Cf. GONZALEZ, L. Op. cit., 鈥淥 movimento negro na 煤ltima d茅cada鈥.

[18] Gostaria de referenciar essa frase 脿 excelente s铆ntese do pensamento de Kom鈥檅oa feito pelo Coletivo Editorial Sunguilar na edi莽茫o brasileira de Anarquismo e Revolu莽茫o Negra.

[19] Cf. KRENAK, A., Ideias para adiar o fim do mundo. Editora Companhia das Letras, 2019, p. 51-52: 鈥淨uando eu sugeri que falaria do sonho e da terra, eu queria comunicar a voc锚s um lugar, uma pr谩tica que 茅 percebida em diferentes culturas, em diferentes povos, de reconhecer essa institui莽茫o do sonho n茫o como experi锚ncia cotidiana de dormir e sonhar, mas como exerc铆cio disciplinado de buscar no sonho as orienta莽玫es para as nossas escolhas do dia a dia鈥.

[20] Cf. PENA, Y., O movimento negro despolitizado 茅 um movimento conservador. Dispon铆vel em: https://terrasemamos.wordpress.com/2020/06/10/ygor-pena-o-movimento-negro-despolitizado-e-um-movimento-conservador/




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