October 13, 2020
De parte de Forum Anarquista Especifista
174 puntos de vista





É
com
esse
slogan
que
o
Ministério
da
Educação
convida
em
rede
nacional
estudantes
secundaristas
para
a
realização
do
ENEM
(Exame
Nacional
do
Ensino
Médio)
–
o
que
é
habitual
nessa
época
do
ano,
se
não
fosse
o
fato
de
estarmos
vivendo
uma
pandemia
por
conta
da
COVID-19.



Há
alguns
meses
setores
da
sociedade
foram
orientados
pela
OMS
(Organização
Mundial
de
Saúde)
a
serem
paralisados,
dentre
eles
as
escolas
e
aulas
foram
suspensas
por
tempo
indeterminado.
Nesse
período,
a
modalidade
de
ensino
a
distância,
conhecida
como
EAD
foi
adotada:
as
aulas
presenciais
foram
substituídas
e
agora
acontecem
através
de
transmissões
ao
vivo,
popularmente
conhecida
como
lives,
as
avaliações
são
feitas
em
casa,
há
a
possibilidade
dos
estudantes
tirarem
dúvidas
com
seus
professores
através
de
plataformas
adotadas
pela
escola;
enfim,
uma
série
de
recursos
foram
adotados
para
que
o
ensino
não
fosse
prejudicado. 



Mas
para
quem
esses
recursos
e
tecnologias
estão
sendo
direcionados?


Antes
de
tudo
é
preciso
saber
que,
segundo
uma
pesquisa*
realizada
pelo
TIC
Domicílios
em
2017
e
divulgada
em
julho
do
ano
posterior,
pelo
Comitê
Gestor
da
Internet,
no
Brasil
temos
“27
milhões
de
residências
desconectadas,
enquanto
outras
42,1
milhões
acessam
a
rede
via
banda
larga
ou
dispositivos
móveis”,
sendo
que

nas
classes
mais
baixas
o
índice
de
pessoas
sem
acesso
a
internet
é
de
70%
,
enquanto
que

nas
classe
mais
abastardas
99%
dos
domicílios
possuem
alguma
forma
de
acesso.



É
necessário
trazer
esses
números
a
mostra,
para
voltarmos
à
pergunta
que
a
propaganda
do
governo
nos
faz
“E
se
uma
nova
geração
de
profissionais
fosse
perdida?”
–
é
nítido
para
nós
que
uma
nova
geração
já
está
sendo
perdida
há
algum
tempo:
quando
não
há
estrutura
no
ambiente
escolar
para
os
estudantes,
falta
de
livros
e
laboratórios
de
pesquisa,
salas
de
aula
superlotadas. 
Sobretudo
agora,
é
perceptível
a
disparidade
entre
o
ensino
privado
onde
métodos
EAD
estão
sendo
utilizados
e
o
ensino
público,
onde
estudantes
que
são
em
sua
maioria
pobres
não
possuem
acesso
a
esses
meios 
na
escola,
tampouco
em
suas
residências.


Manobras
para
continuar
os
estudos
são
feitas
diariamente,
usando
a
internet
do
vizinho
para
baixar
o
material,
ou
se
descolando
a
outro
ponto
para
conseguir
o
sinal.
Essa
é
uma
das
realidades
que
o
atual
governo
fecha
os
olhos.

O
quão
interessante
é
para
o
Estado
que
um
ou
uma
jovem
negro
(a)
secundarista,
ingresse
no
ensino
público
superior?
 Para
o
regime
que
vivemos
essa
geração
de
profissionais
deve
ser
de
fato
perdida
e
vire
mais
um
número
na
estatística
seja
ela
a
do
desemprego
ou
morte.


Apesar
do
delicado
momento
em
que
todos
nós
estamos
vivendo,

se
faz
necessário
refletir
e,
sobretudo,
lutar

contra
um
sistema
opressor
que
a
cada
dia
que
passa
crava
ainda
mais
suas
garras
e
dilacera
de
todas
as
formas
possíveis
o
povo
pobre
e
periférico.
Não
é
o
momento
de
continuarmos
como
se
nada
estivesse
acontecendo
e
seguir
a
diante
com
o
ENEM,
tampouco
de
pedir
o
adiantamento
das
provas.
Adiantar
esse
exame,
que
para
muitos
é
a
oportunidade
de
fazer
uma
faculdade
e
ser
o
primeiro,
a
primeira
da
família
a
estar
no
ensino
superior
e
não
fazer
parte
das
estatísticas
é
de
fato
a
solução?
Precisamos
lutar
para
um
ensino
público,
de
qualidade
a
todas
e
todos!


Tampouco,
não
podemos
nos
iludir
com
o
ensino
a
distância
–
visto
como
uma
medida
de
urgência
nesse
momento
de
crise
é
um
projeto
de
sucateamento
e
desvalorização
dos
professores.
O
ensino
através
de
lives
e
vídeo
aulas
gera
uma
falsa
compreensão
dos
conteúdos
administrados,
além
disso,
o
governo
pode
não
contratar
novos
professores
e
demitir
os
existentes
tendo
como
base
o
EAD.
O
ambiente
é
escolar
vai
muito
além
da
relação
professor
x
estudante:
coordenadores,
diretores,
auxiliares
escolares,
fazem
parte
do
ambiente
físico
da
escola,
de
sua
estrutura
e
funcionamento,
todos
serão
afetados
caso
no
futuro
o
EAD
seja
adotado
como
nova
forma
de
ensino.
 


A
educação
segue
sendo
nossa
maior
arma
contra
os
gritos
de
tirania
sobre
nosso
povo,
não
podemos
deixar
que
o
ambiente
escolar
deixe
de
existir,
pelo
contrário:
temos
que
resistir,
lutar
e
criar
um
poder
popular!





Fuente: Faebahia.blogspot.com