October 13, 2020
De parte de Entranhas
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Sobre a oficina: foi desenvolvida para uma atividade de forma莽茫o com integrantes da Ocupa莽茫o Cultual Mercado Sul VIVE e estudantes de arquitetura e, posteriormente com o Coletivo da Cidade.

Tempo de dura莽茫o: entre 1h a 2hrs, a depender da quantidade de participantes.

Materiais necess谩rios: canetas, tarjetas e papel com a frase inspiradora (ou a frase pode ser escrita em um quadro, caso houver). A frase inspiradora pode ser colocada no centro do c铆rculo e as tarjetas dispostas em c铆rculo no ch茫o para que todas possam ver 鈥 nelas ter谩 escrito o nome dos atores que comp玫em a cidade.  Neste arquivo voc锚 pode baixar o documento com a frase e com as tarjetas dos atores sugeridos:  material 鈥 o direito a cidade

Parte 1: Frase inspiradora. 

鈥淎 Igreja diz: o corpo 茅 uma culpa. A Ci锚ncia diz: o corpo 茅 uma m谩quina. A publicidade diz: o corpo 茅 um neg贸cio. E o corpo diz: eu sou uma festa.鈥 (Eduardo Galeano)

Solicita-se que as participantes expressem o que essa frase significa para elas, como podemos interpret谩-la? Depois de compartilharem as impress玫es, a mediadora pode fazer uma s铆ntese. O importante 茅 entender que o nosso corpo 茅 um lugar de constru莽玫es sociais e de disputas de sentidos, cada ator da sociedade vai colocar no corpo algum significado, vai querer determin谩-lo, mas o pr贸prio corpo tamb茅m vai afirmar seu significado e sua exist锚ncia.

O mesmo acontece com a cidade: a cidade existe como um organismo vivo, assim como o corpo? Quais sentidos s茫o dados 脿 cidade? Quem diz como ela deve funcionar? 脡 importante a gente conseguir identificar quais s茫o esses sentidos que tem sido dado para a cidade que possamos ent茫o construir a cidade do jeito que queremos.

Parte 2: As tarjetas
A mediadora apresenta as tarjetas no ch茫o, explicando que foram selecionados alguns atores que existem na cidade e que constroem seu sentido.  Pedimos para que as pessoas escolham um ator, imaginem o que esse ator diz sobre a cidade e completem na pr贸pria tarjeta. As pessoas podem brincar com a frase, escrever coisas mais po茅ticas ou cr铆ticas, como se sentirem 脿 vontade.

Exemplos:

O motorista diz: a cidade 茅 engarrafada

O empreiteiro diz: a cidade 茅 um canteiro de obras

Chico Science diz:  a cidade n茫o para a cidade s贸 cresce

O policial diz: a cidade deve ser vigiada

Depois de escrito, as participantes apresentam e podem explicar o que escreveram e o debate flui. 脡 importante ir notando os diferentes interesses de cada ator.

Parte 3: Apresenta莽茫o de alguns estudos sobre o direito 脿 cidade.
Sugirimos as primeiras p谩ginas do livro de Lefebvre,  鈥淥 direito 脿 cidade鈥, onde ele comenta  como a cidade que conhecemos hoje 茅 constru铆da em torno de um centro de poder pol铆tico e econ么mico. A cidade 茅 constru铆da para ele, ao redor dele, tudo gira em torno de manter ou aumentar o lucro e o poder de controle da cidade. Na cidade capitalista, mesmo as festas que geralmente acontecem no centro, geram em torno do lucro. Ao contr谩rio, os espa莽os para as pessoas, para a vida social s茫o cada vez mais reduzidos. O espa莽o do morar 茅 jogado cada vez para mais longe e ai as pessoas precisam se locomover em longas dist芒ncias para chegar ao trabalho e outros servi莽os, que ficam principalmente nos centros. Esse processo vai gerando uma exclus茫o maior conforme a posi莽茫o econ么mica, o g锚nero e a origem 茅tnico-racial de cada um/uma. O transporte coletivo vai desempenhar a importante fun莽茫o de levar e buscar as trabalhadoras, para que frequentem o centro apenas como m茫o-de-obra.

Parte 4: Que cidade queremos?
Para finalizar sugerimos um debate sobre 鈥渜ue cidade queremos?鈥 Como transformar a cidade para que ela seja melhor para n贸s vivermos?
Aqui 茅 importante estimular a imagina莽茫o das pessoas para ousarem a imaginar um mundo que muitas vezes pensamos imposs铆veis. Tamb茅m 茅 interessante trazer mem贸rias de inf芒ncia, a viv锚ncia na rua e tamb茅m o que se sabe da viv锚ncia em cidades pequenas em contraponto a experi锚ncia nas cidades grandes. Podemos comparar a l贸gica dos bairros 鈥渢ipo condom铆nio鈥 鈥 com as vidas familiares individualizadas, onde tudo 茅 controlado por um c芒meras e vigias, marcado pela impessoalidade e burocracias, mas tamb茅m por um certo sossego 鈥 com a l贸gica de um bairro mais comunit谩rio, onde geralmente h谩 maior solidariedade, as pessoas se conhecem, se encontram e se unem para resolver os problemas ou festejar, mas tamb茅m pode haver mais conflitos, fofocas, etc.

Finaliza莽茫o: 
Por fim, solicitamos que cada participante fale uma palavra ou frase que representa aquilo que mais marcou da oficina.

REFER脢NCIAS:

LEFEBVRE, Henri. O direito 脿 cidade. S茫o Paulo: Editora Centauro, 2001.
HARVEY, David. O direito 脿 cidade. Revista Piau铆, 2013.

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茅 militante, educadora, feminista e capturadora de hist贸rias rebeldes

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Fuente: Entranhas.org